LogoInocência Notícias

MS e Ministério da Saúde intensificam combate ao Aedes em aldeias

Parceria estratégica foca na prevenção de arboviroses em territórios indígenas com uso de tecnologias e abordagens culturais.

12/03/2026 às 15:27
Por: Redação

Uma colaboração entre o Ministério da Saúde e a Secretaria de Estado de Saúde (SES) de Mato Grosso do Sul foi finalizada recentemente, por meio de uma missão técnica nos territórios indígenas do estado. O objetivo principal da iniciativa é reforçar as ações de enfrentamento ao mosquito Aedes aegypti, vetor responsável pela transmissão de arboviroses como dengue, chikungunya e Zika.

 

Esta programação abrangente, que se estendeu de 2 a 6 de março, contou com a participação de várias instituições e lideranças comunitárias indígenas, visando desenvolver e implementar soluções de prevenção de forma adaptada às especificidades locais de cada povo.

 

A iniciativa está alinhada a uma estratégia de âmbito nacional para a prevenção de arboviroses, a qual considera as distintas características ambientais, culturais e territoriais de cada comunidade indígena. Durante a semana, a agenda incluiu uma série de compromissos fundamentais, como reuniões técnicas aprofundadas, apresentações institucionais das entidades envolvidas e visitas de campo essenciais. Nestas visitas, as condições regionais foram avaliadas minuciosamente, facilitando um valioso intercâmbio de experiências entre os profissionais de saúde e as lideranças locais.

 

A condução das atividades ficou a cargo da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), que pertence ao Ministério da Saúde. Além da SES, a ação contou com a participação significativa da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul (DSEI-MS), das secretarias municipais de saúde e, crucialmente, das lideranças indígenas, o que fortaleceu a abordagem integrada e cooperativa.

 

Itinerário e Engajamento Local

 

A jornada técnica pelos territórios indígenas de Mato Grosso do Sul teve seu ponto de partida em Sidrolândia, especificamente na aldeia 10 de Maio. Nesse local, foram detalhados os propósitos das atividades e realizada a primeira visita de campo para reconhecimento e compreensão da realidade do território.

 

Em seguida, as equipes se dirigiram para Amambai, onde ocorreram diversos encontros entre profissionais de saúde, gestores e as lideranças indígenas da área. Além disso, foram efetuadas visitas às aldeias da região, permitindo a observação direta dos desafios relacionados ao controle do mosquito vetor das arboviroses.

 

As atividades prosseguiram em Miranda, com a realização de reuniões e ações direcionadas às comunidades indígenas locais. Esta etapa incluiu encontros com representantes das aldeias Moreira e Passarinho. Nos últimos dias da agenda, os trabalhos foram concentrados em Aquidauana, nas regiões de Taunay e Limão Verde, reunindo representantes de diversas aldeias para discutir e elaborar estratégias de vigilância e prevenção.

 

O enfrentamento às arboviroses exige atuação articulada entre todas as esferas do SUS. Em Mato Grosso do Sul, temos fortalecido essa integração com o Ministério da Saúde, com a saúde indígena e com os municípios para qualificar as estratégias de vigilância, prevenção e controle do Aedes. Essa aproximação permite alinhar ações, compartilhar experiências e avançar em soluções construídas junto às comunidades, respeitando as especificidades culturais e territoriais de cada povo e contribuindo diretamente para a proteção da saúde das populações indígenas.

A declaração foi feita por Crhistinne Maymone, secretária-adjunta de Estado de Saúde, ao destacar a importância da articulação interinstitucional.

 

Manejo Integrado e Tecnologia Inovadora

 

Durante os encontros, foram debatidas diversas opções para intensificar as ações de controle do mosquito vetor nos territórios indígenas, enfatizando a importância da integração entre as diferentes instâncias de gestão e as próprias comunidades. Uma das estratégias inovadoras consideradas é a aplicação da tecnologia do inseto estéril.

 

Esse método consiste na liberação de mosquitos machos esterilizados no ambiente, com o propósito de reduzir progressivamente a população do Aedes aegypti. A implementação inicial dessa técnica está prevista para uma aldeia específica em Mato Grosso do Sul, que será selecionada com base em critérios predefinidos. A proposta é que essa abordagem atue de forma complementar às ações de saúde já estabelecidas, como a eliminação de criadouros e as campanhas de orientação e conscientização destinadas à população.

 

A participação da Secretaria de Estado de Saúde nessa agenda foi extremamente importante, pois reforça o compromisso do Estado com o enfrentamento das arboviroses também nos territórios indígenas. Estar presente nas aldeias, conhecer a realidade in loco e dialogar diretamente com as lideranças e equipes de saúde nos permite compreender melhor os desafios específicos desses territórios.

Essa avaliação foi feita por Jéssica Klener Lemos dos Santos, gerente técnica estadual de Doenças Endêmicas da SES, que também enfatizou o pioneirismo do estado.

 

Mato Grosso do Sul tem se colocado de forma pioneira ao construir essa aproximação, abrindo caminhos para uma atuação integrada com a SESAI, o DSEI e o Ministério da Saúde. Esse movimento fortalece a articulação entre as instituições e contribui para o desenvolvimento de políticas públicas mais adequadas, sensíveis às especificidades culturais e territoriais das comunidades indígenas.

© Copyright 2025 - Inocência Notícias - Todos os direitos reservados